Os ataques cardíacos podem ocorrer em cães mas é uma condição rara. A causa de ataques cardíacos em pessoas deve-se a um impedimento da passagem do sangue em uma ou mais artérias coronárias (que são as artérias que alimentam e oxigenam o músculo cardíaco), resultando na morte da área do coração perfundida por esses vasos. O impedimento da passagem de sangue nesses vasos sanguíneos deve-se à aterosclerose, que é a acumulação de placas de colesterol que causam uma obstrução gradual dos vasos. Como a aterosclerose em cães é rara, não é correcto usar-se o termo ataque cardíaco. As causas de morte súbita com origem em patologias cardíacas no cão devem-se a arritmias ou a uma insuficiência cardíaca grave.
   No caso concreto do Tejo, umas das hipóteses poderá ser uma cardiomiopatia, que é uma doença do músculo cardíaco em que podem ocorrer arritmias com taquicardia ventricular, que pode levar a uma fibrilhação ventricular culminando em paragem cardio-respiratória.
   No Boxer, a cardiomiopatia pode manifestar- se apenas sob a forma de arritmias ou sob a forma de cardiomiopatia dilatada, em que, neste caso, os ventrículos e os átrios estão dilatados e o músculo cardíaco perde a sua força de contracção, resultando numa insuficiência cardíaca.
   A cardiomiopatia dilatada surge em mais de 90% dos casos em cães de raça pura e é rara em rafeiros. A predisposição em certas raças e em certas famílias apoia a hipótese de que existe uma causa genética. As raças predispostas são as de grande porte ou gigantes como o Dobermann, Boxer, Labrador, Terra Nova, São Bernardo, Grand Danois, Cão de Água e Serra da Estrela. Também pode ocorrer em Cockers. Manifesta- se geralmente em cães de meia-idade, por volta dos seis anos, mas pode ocorrer em idades precoces, logo nos primeiros anos de vida.
   Esta doença tem uma fase oculta, que pode ser longa (dois a quatro anos), em que o animal não manifesta sintomas. A doença é progressiva e manifesta- se normalmente de uma forma abrupta, em uma a duas semanas. Quando se manifestam, os sintomas estão relacionados com uma insuficiência cardíaca, e são: dificuldade respiratória; tosse; 'barriga de água', síncopes, intolerância ao exercício físico, perda de apetite, perda de peso e letargia.
   O prognóstico quando a doença se manifesta com sintomas de insuficiência cardíaca é mau. Alguns cães que sobrevivem à manifestação inicial vivem em geral, mais seis a 12 meses, com tratamento médico

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

0 comentários:

Postar um comentário